Com 58 mortos, Brumadinho vive operação de guerra para localizar vítimas de barragem

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Foto: AP Photo/Leo Correa

Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte (MG), é uma cidade consternada. Atropelada por toneladas de lama e detritos despejados sobre casas, estradas, rios e plantações, a região viveu um fim de semana de raiva, aflição e luto. O pesadelo teve início na última sexta-feira (25), quando o município de 39,5 mil habitantes foi cortado ao meio pelos rejeitos da Mina do Córrego do Feijão. Três barragens, administradas pela Vale e localizadas no alto de um morro, ruíram.

Sem que nenhuma sirene soasse, funcionários que almoçavam no refeitório da empresa foram engolidos pelo barro. O prédio administrativo desapareceu. Em minutos, residências, estabelecimentos comerciais e propriedades inteiras sumiram no lamaçal, que varreu as comunidades de Córrego do Feijão, Tejuco e Parque das Cachoeiras. Até as 21h deste domingo (27), o Corpo de Bombeiros contabilizava 58 mortos, 192 pessoas resgatadas com vida e 305 desaparecidos.

Com o objetivo de achar toda essa gente, o campo de futebol em frente à Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Córrego do Feijão, virou pista de pouso e decolagem para helicópteros. A estrutura da paróquia serviu de quartel-general a dezenas de socorristas, em uma operação de guerra para localizar vivos e mortos.

 

Abastecimento sob análise

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, afirmou que até quarta-feira (30) sai o resultado da análise das águas do Rio Paraopeba, que corta a região atingida pelo rompimento de barragem da Vale no município de Brumadinho. A avaliação será feita a partir de amostras colhidas em 47 pontos de captação ao longo do curso do rio, que abastece uma mancha urbana de cerca de 3 milhões de pessoas. O abastecimento de água na Grande Belo Horizonte está sendo feito por outros reservatórios.

Os primeiros enterros

A cidade de Brumadinho teve seus primeiros enterros de vítimas do rompimento da barragem neste domingo (27). Fabrício Henriques da Silva, que trabalhava para uma empreiteira prestadora de serviços da Vale, foi sepultado no Cemitério Municipal Velho, atrás da Igreja Matriz, na parte alta da cidade, às 12h30min. Djene Paula Las Casas, operador de máquinas e funcionário da Vale, foi enterrado às 17h. Há três cemitérios em Brumadinho. Dois são municipais: o Cemitério Velho e o Parque das Rosas. Um terceiro, Brumado, é privado.

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