Pequenas empresas do comércio são as mais afetadas pela crise

0
77
Foto: Divulgação

As pequenas empresas do comércio são as que mais sofreram com a crise provocada pela pandemia de coronavírus. E o pior: o ritmo de recuperação tem sido fraco.

Os dados estão em um estudo inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e têm como base a pesquisa da sondagem do comércio realizada mensalmente pela instituição.

O levantamento mostra o seguinte em relação ao empresário de pequeno porte:

O índice de confiança é o mais baixo;
A recuperação da demanda é a mais fraca desde o início da crise;
Há mais relatos de dificuldade para conseguir crédito;
Quase 40% deles esperam a normalização da economia só em 2021.

A dificuldade apontada pela pesquisa indica mais um entrave para a recuperação econômica do país. As pequenas empresas são responsáveis por 54% dos empregos com carteira assinada e respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Pela pesquisa realizada pelo Ibre, a confiança dos pequenos empresários ainda segue num patamar bastante ruim e não deu mostras de uma retomada mais robusta.

Em junho, o índice de confiança dos pequenos empresários marcou 58 pontos, enquanto a dos grandes estava em 80,6 pontos.

Desde abril, quando foi possível capturar todos os efeitos da crise provocada pela pandemia de coronavírus, as grandes empresas do comércio perderam 58,8 pontos de confiança e já recuperaram 36,1 pontos. As pequenas registraram uma queda de 69,5 pontos no período e recuperaram 37,3 pontos.

“O fundo do poço é maior para as pequenas empresas e elas têm tido mais dificuldade para sair dele”, afirma o economista do Ibre/FGV e responsável pelo levantamento, Rodolpho Tobler.

O quadro de dificuldade das pequenas também fica evidente quando se analisa o comportamento da demanda para cada grupo de empresas. Em março, o indicador que apura esse quesito na pesquisa do Ibre estava em 94,4 pontos para as pequenas. Em junho, marcou apenas 48,6 pontos. No mesmo período, a demanda das grandes empresas passou de 91,7 pontos para 88,7 pontos.

“O patamar de antes da pandemia já não era tão forte. E, mesmo assim, não está sendo fácil para as pequenas empresas retornar para esse patamar”, diz Tobler. O indicador do volume de demanda vai de 0 a 200 pontos – a marca de 100 pontos indica um nível normal de atividade.

Segundo o levantamento da FGV, das empresas que tentaram obter algum tipo de crédito, mas não conseguiram, 64,4% são de pequeno porte, 30,5% estão no grupo das companhias de médio porte e apenas 5,1% são de grande porte. “A falta de crédito continua sendo o principal problema para a retomada”, diz o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

Em maio, o governo criou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e liberou linhas de crédito para pequenos negócios. Os empresários, no entanto, relatam dificuldades para ter acesso aos recursos. Na quinta-feira (16), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o governo pretende anunciar novas medidas para esse segmento.

As pequenas enfrentam esse quadro de maior dificuldade porque elas têm uma margem de manobra menor de atuação. Quando a pandemia se agravou no país e boa parte do comércio teve de baixar as portas, as grandes conseguiram transferir parte das suas operações para o e-commerce com alguma rapidez.

Em relação ao crédito, as companhias de menor porte lidam com uma burocracia maior. Nem todas, por exemplo, têm uma folha de pagamento atrelada a uma instituição financeira, o que dificulta um relacionamento com o banco para a tomada de recursos em momentos de necessidade.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here